Rodrigo Felix, em 2006, em jogo pela Copa do Brasil entre Paysandu e Vila Nova (Foto: Marcelo Seabra / O Liberal)
Será que o torcedor do Paysandu lembra o elenco de 2006? E de certo atacante da base, que era mais aproveitado como lateral-direito, chamado Rodrigo Felix? Pois bem, desde que saiu do clube paraense no final daquela temporada, o jogador rodou pelo futebol nacional e chegou ao exterior, onde passou por Portugal, Bahrain e chegou até Omã, país asiático que faz fronteira com a Arábia Saudita e com o Yemen. Lá, Felix é ídolo, artilheiro e tem contrato até julho do próximo ano.
Mas antes de falar da vida atual do jogador, o GLOBOESPORTE.COM vai relembrar aquele período de 2006, quando o time ainda era comandando por Ademir Fonseca, que havia trazido ao Paysandu, boa parte dos jogadores que tinham disputado o Campeonato Carioca pela Cabofriense (RJ) e, ainda, contava com outros jogadores habilidosos no elenco como o meia-atacante Rogerinho, atualmente no Ceará, e os experientes centroavantes Aldrovani e Zé Augusto, o Zé da Fiel.
Rodrigo com os filhos do presidente de seu atual
clube (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal do jogador)
E era daquele elenco bicolor que Rodrigo Felix fazia parte, à época com apenas 20 anos da idade. Ele era uma espécie de coringa, atuava como atacante, meio-campo e, até mesmo, de lateral-direito improvisado. Aliás, no período em que Ademir Fonseca treinou o clube paraense, o jogador era utilizado somente nesta função. Segundo ele, não importava a posição, o ideal mesmo era mostrar serviço, aproveitar as oportunidades que lhe eram dadas e, principalmente, jogar no time principal do Paysandu.
– Na verdade sempre fui atacante, desde a base do Paysandu. Quando subir ao profissional, também subi como atacante, mas como o lateral-direito da época não estava bem, o treinador me testou e, como fui bem, ele resolveu me colocar nessa função. E sempre me revezava, nunca joguei apenas como lateral. No Paysandu joguei como lateral-direito, meia e atacante. Estava novo e não importava a posição. Eu queria jogar de qualquer maneira – revela Rodrigo.
Primeira parada foi em Santa Catarina, no Avaí
Depois que saiu do Papão, Rodrigo Felix foi emprestado ao Avaí, de Santa Catarina. Lá, o atleta pegou a pré-temporada já em andamento e só conquistou a condição de titular na quarta rodada do Campeonato Catarinense. Depois disso, se machucou e, um pouco antes do início do Campeonato Brasileiro da Série B 2007, foi emprestado ao Noroeste, por onde jogou apenas três partidas e voltou a sentir a mesma lesão.
Rodrigo é destaque na imprensa árabe (Foto: Divulgação)
– Tratei (a lesão) e, quando melhorei, acabou o meu empréstimo (com o Noroeste). Voltei ao Avaí com mais três meses de contrato. Eles queriam renovar por mais um ano com o mesmo salário, mas não aceitei e treinei em separado até o término do contrato – revelou o jogador, que está com 26 anos de idade.
Ao deixar o sul do país, o atleta jogou no Ceilândia, Legião e Brasiliense, todos do Distrito Federal (DF) e, também, teve uma breve passagem pelo Londrina, em 2009. Depois disso, o atacante seguiu para o exterior, jogou em Portugal pelo Alcanenense e, de lá, seguiu para Ásia, onde atuou no Bahrain, no golfo pérsico, até chegar ao seu clube atual, o Al Nahda, de Omã. Para desembarcar nas terras dos turbantes, o jogador revela que toda negociação foi fechada via e-mail.
Rodrigo passeia pelo deserto árabe
(Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)
– Foi uma indicação. Quando estava em Brasília, jogando no Legião, conheci o Jânio, que também jogava comigo. Ele indicou meu site ao amigo Márcio Cardoso, que estava jogando no Bahrain. Ele gostou, achou que iria dar certo e passou meu site para o presidente do clube. O presidente também gostou dos meus vídeos e fechamos (contrato) por e-mail – disse.
Distante dos gramados brasileiros desde 2009, Rodrigo Felix leva uma vida tranquila em Omã. Por conta do calor forte, que chega próximo dos quarenta graus, os treinos só acontecem no período da noite. O jogador, que é divorciado, também tem regalias. Além de morar sozinho, tem direito a motorista particular que vai busca-lo todos os dias para leva-lo ao treino e para qualquer outro lugar que o atleta desejar ir.
– Minha vida aqui é muito tranquila. Vou três vezes durante a semana treinar pela manhã na academia do clube. Sempre 30 minutos antes do treino, o motorista do clube vem me buscar, pois eu não tenho habilitação para dirigir aqui. E também não quero, pois aqui sempre o árabe tem razão no trânsito. Sempre que quero ir a algum lugar, eu ligo e o motorista vem me buscar – revela.
Rodrigo em ação pelo Al Nahda (Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)
Entre as dificuldades enfrentadas pelo atacante está na comunicação. Rodrigo Felix fala inglês, mas, nos jogos, os companheiros de equipe falam somente árabe o que, segundo ele, já deu para aprender um pouco. Outro problema é a saudade da família, que é grande. Para falar com os pais, só de dois em dois dias. E se não ligar... mais problemas.
– Se eu passar dois dias sem ligar para eles (pais), eles me ligam lembrando que eu ainda tenho pai e mãe. Mas minha mãe sempre está sempre olhando meu twitter para saber o que eu escrevo – brincou Felix, que afirmou estar, provavelmente, em sua ultima temporada no mundo árabe.