quinta-feira, 5 de julho de 2012

De férias em Florianópolis, ex-jogador do Figueira está próximo do Valência

Guilherme Siqueira em Florianópolis, transferência para o Valência (Foto: Vitor Vieira de Oliveira / Globoesporte.com)Guilherme Siqueira está próximo do Valência (Foto: Vitor Vieira de Oliveira / Globoesporte.com)

Como sempre faz nos últimos oito anos, Guilherme Siqueira retorna a Florianópolis após o término da temporada europeia. Este ano, no entanto, a volta à cidade natal é especial: depois de ter a melhor temporada da carreira, com direito a 'cavadinha' sob os olhares de Messi no Camp Nou, Siqueira já tem um acordo verbal com o Valência. Segundo o jogador,  criado no Figueirense e atualmente no Granada, a transação só depende do acordo de valores sobre seus direitos econômicos. O Benfica, de Portugal, também tem interesse pelo atleta.

- Minha multa recisória é de R$ 15 milhões e o presidente (do Granada) diz que aceita R$ 12 milhões, mas o Valência quer acertar um meio termo, talvez comprar apenas a metade do passe.  Ai ficam todos felizes, cada um com 50%, e o Granada lucraria com uma futura transação - diz o jogador.
 

Me desafiaram: e aí? Vai bater ou vai tremer?" e eu disse que mais do que nunca iria bater se tivesse um pênalti"

Siqueira, sobre a 'cavadinha'

Apesar da campanha sofrível no Campeonato Espanhol pelo modesto clube do sul da espanha - na 17ª colocação, por pouco não foi rebaixado - o lateral-esquerdo se destacou e atraiu os olhares para si. Mesmo atuando na lateral, foi artilheiro do clube com seis gols e eleito pela federação espanhola uma das revelações do campeonato. Dos tentos marcados, dois deles foram especiais: de pênalti, contra o Barcelona, em pleno estádio Camp Nou, sob os olhares de Lionel Messi. O segundo, com um toque de ousadia.

Depois de marcar o segundo gol do Granada no jogo, também com categoria ao deslocar o goleiro Victor Valdes, Guilherme teve em seus pés uma nova oportunidade, também em penalidade. Aos 35 minutos da segunda etapa, com calma e com uma "cavadinha" na bola, Siqueira não deu chances ao goleiro rival e diminuiu o marcador. Os dois gols, porém, não foram suficientes para evitar a derrota pelo placar de 5 a 3. Naquela tarde, Lionel Messi acabou com o jogo, marcou três vezes e tornou-se o maior artilheiro da história do Barça.

De volta ao Brasil, enquanto o contrato não é firmado entre as duas equipes, Guilherme aproveita para curtir a família e os amigos na Ilha da Magia. Entre uma corrida à beira mar para manter a forma e um carinho da namorada, o catarinense recorda com orgulho os feitos alcançados na temporada 2011/2012.

Guilherme Siqueira em Florianópolis, transferência para o Valência (Foto: Vitor Vieira de Oliveira / Globoesporte.com)Siqueira aproveita Florianópolis enquanto aguarda acerto (Foto: Vitor Vieira de Oliveira / Globoesporte.com)

— No hotel em que estávamos concentrados, tomando o café antes da partida os meus colegas me desafiaram: "E aí? Vai bater ou vai tremer?" e eu disse que mais do que nunca iria bater se tivesse um pênalti. Acabou dando certo, pois eu disse que não iria amarelar não. Eu já estava acostumado a fazer a "cavadinha" e foi um momento especial — contou Siqueira.

No bate-papo com o GLOBOESPORTE.COM/SC, o lateral fala da temporada que fez pelo Granada, da relação com a cidade de Florianópolis, sobre o futuro e o acerto com o Valência.

GLOBOESPORTE.COM/SC - Em análise, esta foi a sua principal temporada desde que chegou à Europa?
- Sem dúvida alguma foi a minha melhor temporada. Estive seis anos na Itália e estou há dois na Espanha. O começo não foi tão bom na Itália, com muitas lesões e, desde o ano passado, as coisas melhoraram. Na temporada passada com o Granada, a gente fez uma ótima campanha na segunda divisão e conseguimos o acesso. Este ano fiquei surpreso com o meu desempenho, fui o artilheiro do time e foi muito positivo tudo o que aconteceu.

Eu prefiro permanecer na Liga espanhola, pois penso que o campeonato português ainda deixa a desejar"

Siqueira


Com as boas exibições, principalmente contra o Barcelona, você chamou a atenção. Você está quase fechado com o Valência. Prefere ficar ou sair da Espanha?
- Tem bastante proposta pintando e eu estou esperando. Eu tenho uma preferência por permanecer na Espanha. Entre optar por um time de Portugal ou um time da mesma grandeza na Espanha, eu prefiro permanecer na Liga espanhola, pois penso que o campeonato português ainda deixa a desejar. Se eu puder ir para um time grande da Espanha, que jogue a Champions League, é mais interessante.

Neste momento você está mais próximo de um acerto com o Valência, certo? Como estão as negociações em relação ao seu futuro?
- Minha multa recisória é de R$ 15 milhões e o presidente (do Granada) diz que aceita R$ 12 milhões, mas o Valência quer acertar um meio termo, talvez comprar apenas a metade do passe. Ai ficam todos felizes, cada um com 50%, e o Granada lucraria com uma futura transação.

Você mostrou ousadia no duelo conta o Barcelona, em pleno Camp Nou. Como foi marcar duas vezes contra o time de Messi e, ainda por cima, um deles de "cavadinha"?
- Contra estes times tem que fazer alguma coisa para aparecer, chamar a atenção. Antes do jogo, eu conversei com o pessoal do time e eles me desafiaram para saber se eu iria fazer a cavadinha contra o Barcelona. Eles brincaram comigo: "E ai? vai bater ou vai tremer?". Eu disse que mais do que nunca iria bater. É uma loteria, né? Mas deu tudo certo e foi um dos jogos mais importantes.

E Messi, como foi enfrentar o craque argentino?
- É fácil de perceber que ele é diferenciado. Ele está uma marcha na frente dos outros o tempo todo. Pensa rápido e antes da bola chegar nele. Quando a bola chega e ele arranca, tem que parar na falta pois ele é muito rápido. Claro que ele tem bons "garçons" ao redor dele. Não é só ele, tem o Iniesta e o Xavi... é um plantel fora de série.

 Guilherme Siqueira na partida do Granada contra o Racing (Foto: EFE)Guilherme Siqueira em ação com a camisa do Granada
(Foto: EFE)

E a repercussão com os familiares e amigos no pós-jogo?
- No momento da cobrança você não pensa em nada, eu procuro ficar concentrado no jogo. Eu sabia que os meus pais e amigos estavam assistindo. Quando termina o jogo é que a gente começa a pensar naquilo que fez e eu sabia que iria ter uma repercussão legal. Assim que acabou, o meu telefone não parou de tocar, eram muitas ligações. Fiquei bem feliz mesmo.

Como é sua relação com Florianópolis? O que mais gosta de fazer quando está em férias por aqui?
- Sempre que posso eu venho para cá e fico uma semana em dezembro e nas férias, quando termina a temporada (entre Junho e Julho), fico o máximo possível. Quando eu estou aqui não quero sair. Eu, que viajo bastante, vejo a grandeza de Floripa: é diferenciada. Sempre que eu apareço e estou aqui tento aproveitar ao máximo.

Quais os lugares da cidade que você mais visita quando está por aqui?
- Ah, da cidade eu gosto dela inteira, se eu falar um ponto preferido eu estarei mentindo. Gosto da Lagoa da Conceição e das praias do norte de Floripa. Sou bem “manezinho” mesmo, gosto de correr na à beira mar e ir ao shopping tomar um “choppinho” com os amigos.

Quem é Guilherme Siqueira?
Guilherme iniciou a carreira nas categorias de base do Figueirense e, logo depois, foi para o Avaí. Com apenas 18 anos, foi contratado pelo Internazionale e a seguir retornou ao Brasil emprestado ao Ipatinga, de Minas Gerais. Incorporado ao elenco profissional do time de Milão, voltou para a Itália em 2005, tendo passagens em seqüência por Lazio, Udinese e Ancona, até chegar ao Granada em 2010. O lateral integrou a seleção brasileira sub-17 em 2002 e 2003.