segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Clubes catarinenses buscam crescimento também nas gôndolas

Para garimpar novas receitas, os times de futebol passam a utilizar o fervor a seu favor. A paixão é o principal combustível de um clube e ela pode ser demonstrada não apenas nos gritos de incentivo nas arquibancadas, mas também na camisa, no boné, no chinelo e até no carvão do churrasco do final de semana. Em Santa Catarina, não faltam opções de produtos para alvinegros, azurras, alviverdes e tricolores que, além de demonstrar amor ao time do coração, ajudam no orçamento de quem recebe parte do lucro sobre os produtos originais. O mercado de licenciamento está em expansão. E não para de crescer.

Copos de chope com a marca do Criciúma (Foto: Lucas Sabino, Divulgação / Criciúma E. C.)Copos para cerveja estão entre os 400 itens com a marca do Criciúma
(Foto: Lucas Sabino, Divulgação / Criciúma E. C.)

Com as novas demandas, além das próprias camisas de jogos, os departamentos de marketing apostam no licenciamento de produtos distintos. Oito clubes catarinenses se organizaram para desenvolver em conjunto ações e artigos que alavanquem as receitas e combatam produtos piratas. Associação entre oito times catarinenses para projetos de licenciamento, o Futmarcas conta com Avaí, Joinville, Criciúma, Chapecoense, Metropolitano, Brusque, Junvetus (de Jaraguá do Sul) e Camboriú. O Figueirense desenvolve separadamente projetos de licenciamento.

Os produtos que recebem as marcas dos times e, automaticamente, geram dinheiro para os clubes são dos mais variados. Leite, água mineral e carvão para churrasco são exemplos dos itens vendidos. Em média, 10% do valor da venda é repassado à agremiação. Essa receita ajuda a bancar os investimentos na equipe de futebol ou em infraestrutura. O Avaí tem como premissa utilizar toda a verba arrecadada com a venda de produtos oficiais nas divisões de base.

Criciúma aposta no comércio virtual
A gestão do Tigre mostrou que mesmo trabalhando em diferentes frentes os resultados no futebol podem ser atingidos. O Criciúma é o único representante catarinense na Série A em 2013 e um dos clubes que mais apresentou novidades para os torcedores. Além de produtos, a loja oficial do clube, que completou um ano recentemente, ganhou uma versão online em dezembro, com entregas em todo o país.

A participação das vendas pela internet ainda é pequena. Ainda não representa 2% do faturamento da loja físca. Porém a previsão da gerente comercial do Criciúma Esporte Clube é que haja aumento sem grandes investimentos.

Boneco do artilheiro Zé Carlos (Foto: João Lucas Cardoso, globoesporte.com)Vendas de boneco de Zé Carlos
satisfazem apenas os fabricantes
(Foto: João Lucas Cardoso, globoesporte.com)

— O maior patrimônio do clube são os torcedores e muitos deles são de fora da cidade. Além dos próprios criciumenses, outros catarinenses se identificam com o clube sem nunca terem ido à Criciúma. A loja virtual ainda está no começo, mas a gente se surpreendeu com a quantidade de visitas e o número de cadastros. Ainda não fizemos muita divulgação e vemos um grande potencial de vendas — explicou Viviani Olimpio, gerente comercial.

Antes da criação de um setor para tratar licenciamentos de produtos, o Criciúma vendia apenas as camisas de jogos. Hoje são mais de 400 produtos, entre souvenires, utensílios domésticos, vestuários e produtos alimentícios. O clube enveredou por aumentar a variedade de itens e apostou no boneco do atacante Zé Carlos. No entanto, o goleador fez mais sucesso no campo, sendo o segundo maior artilheiro do Brasil em 2012, do que nas prateleiras. Segundo a gerente comercial, foram fabricados 500 exemplares e a procura ficou abaixo do que esperavam. Por outro lado, conforme Viviane Olímpio, a saída está dentro da normalidade na opinião do fabricante, que produz bonecos semelhantes para outros clubes de futebol.

Receitas do Avaí vão para os futuros craques
No Avaí, o projeto dos licenciamentos tem como finalidade investir em futuros jogadores. Toda a receita por meio da venda de produtos com a marca Avaí é voltada para as divisões de base. Hoje, 60% dos gastos com os jovens atletas é mantido pelo valores repassado pela venda de artigos do Leão da Ilha de Santa Catarina. A expectativa é de que o projeto, iniciado em 2007, chegue a 100% nos próximos anos.

Réplica da Ressacada é uma das ofertas de produtos licenciados pelo Avaí (Foto: Divulgação / Avaí FC)Réplica da Ressacada é uma das ofertas de
produtos licenciados pelo Avaí
(Foto: Divulgação / Avaí FC)

— É sempre importante este enfoque, pois precisamos fortalecer a história deste segmento. No Brasil, o licenciamento ainda é um processo muito recente, mesmo para grandes clubes que têm muitos anos de visibilidade — avaliou Otília Pagani, coordenadora de licenciamentos do Avaí e coordenadora do Futmarcas.

Um caso de sucesso na Azurra saiu de um projeto que não visava ser fonte de receita. O Avaí lançou em 2011 o projeto que presta homenagens às cidades catarinenses nas camisas oficiais dos goleiros. O uniforme que estampa cartões postais dos municípios se tornou um produto requisitado. Os torcedores, principalmente nas cidades específicas, começaram a procurar essas camisas e o clube correu para disponibilizá-las aos consumidores.

Produtos do Figueira ao alcance dos dedos
O Figueira tem apostado na tecnologia para atrair os clientes-torcedores. Uma empresa contratada pelo clube, que também presta serviço para outros times, desenvolveu um aplicativo para celulares. Ao fotografar um código impresso nos produtos oficiais, além de identificar o produto, mostra um conteúdo exclusivo, como um atleta do elenco apresentando o material e agradecendo pela compra. O projeto também funciona como ferramenta de combate à pirataria.

Loja oficial do Figueirense tem (Foto: Luiz Henrique, Divulgação / Figueirense FC)Venda de produtos oficiais correspondem
a 1% do faturamente do Figueirense
(Foto: Luiz Henrique, Divulgação / Figueirense FC)

Por conta de redução na cota de transmissões televisivas por causa do rebaixamento à Série B, o Figueirense aposta nos produtos em preto e branco. A partir de 2013, o clube pretende ‘cuidar’ mais das vendas de produtos oficiais. Neste ano, a venda dos licenciados significou para Figueira apenas 1% do faturamento total do clube.

— Em 2013 a previsão é que chegue pelo menos em 2%, devido ao aumento absoluto de royalties e redução natural de orçamento decorrente da queda à Série B — projetou Wagner de Castro, coordenador de marketing do Figueirense.

Embora a venda de camisas ainda seja o carro-chefe nos royalties, por ter grande volume e maior porcentagem, em média 20%, o clube não abre mão do que ganha em canecas, toalhas, sandálias e bonés.

— Se antigamente tínhamos pequenas empresas produzindo quase que artesanalmente, hoje temos uma indústria muito mais desenvolvida. Existe um longo caminho a ser percorrido, mas precisamos expandir e oferecer canais para que o torcedor adquira produtos oficiais com a maior agilidade, segurança e conforto possível — disse Wagner.

Terceira camisa do Joinville (Foto: Divulgação / JEC)Camisa laranja do Joinville marca a
aproxuimação do clube com os torcedores
(Foto: Divulgação / JEC)

Joinville e Chapecoense
Os dois clubes mantêm lojas oficiais e vendem seus produtos pela internet. Diferente dos times anteriores, Joinville e Chapecoense tem menos variedade de artigos em seus portfólios. Por isso, os campeões de vendas são as camisas de jogo.

O JEC apostou na participação dos torcedores na hora de desenvolver a camisa alternativa. O clube do norte de Santa Catarina fez um concurso e selecionou três modelos para serem votados no site oficial, todas criadas por internautas tricolores. A escolhida passou a ser o terceiro uniforme da equipe e o autor recebeu a primeira camisa fabricada.

A Chapecoense, que atende o público também pela internet, aposta em camisas comemorativas e retrôs. O clube deve diversificar a linha de produtos, aproveitando a maior exposição depois de conquistar a vaga na Série B.



Dois acessos mostram força do futebol do interior de SC em 2012

Os resultados comprovam: os times do interior de Santa Catarina tiveram um 2012 melhor do que as equipes da capital. Criciúma, Joinville e Chapecoense conquistaram os objetivos que traçaram para as competições nacionais. Enquanto os de Figueirense e Avaí foram distintos do que fica guardado nas tabelas de classificação do Campeonato Brasileiro. Embora alvinegros e azurras tenham conquistado vaga na Copa do Brasil, por ficarem na frente dos demais no Catarinense, Criciúma e Chapecoense subiram de divisão no futebol do país.

Loco Abreu, Figueira x Atlético-MG (Foto: Luiz Henrique / Divulgação Figueirense FC)Contratado como estrela, Loco Abreu foi coadjuvante na campanha de rebaixamento do Figueirense
(Foto: Luiz Henrique / Divulgação Figueirense FC)

O Figueirense tinha como meta fazer frente por vaga na Libertadores da América, porém terminou rebaixado. A do Avaí era voltar à primeira divisão, mas terminou em sétimo – atrás de outros dois times do estado na Série B do Campeonato Brasileiro. Pelos cantos de Santa Catarina, o Criciúma voltaria à elite, após oito anos. Do norte, o Joinville manteve-se na B – ainda brigou por acesso – e estará na Copa do Brasil de 2013. Do oeste, a Chapecoense deixou a Série C para trás. O saldo é de cinco catarinenses entre os 40 das duas primeiras divisões nacionais. Em representatividade, em 2013 vai perder apenas para o estado de São Paulo, com nove equipes nas séries A e B – cinco na A e quatro na B.

Somente em 2012, o técnico Argel Fucks comandou três dos cinco clubes catarinenses que vão estar nas duas primeiras divisões do Campeonato Brasileiro. Ele esteve a frente de Joinville, durante o Campeonato Catarinense, do Figueirense, nas 10 primeiras rodadas da Série A e na reta final do Avaí na Série B do Brasileirão.  Direto, Argel justifica o momento do interior pela conta simples. Mas também acredita que o interior impulsiona o crescimento do futebol em solo barriga verde.

- O futebol catarinense está muito bem. Ter quatro clubes na Série B e um na Série A faz com que seja um mercado de trabalho muito bom. Trabalhei em três grandes clubes do futebol catarinense em 2012 – avalia.

Num cenário não muito distante, os times de Florianópolis detinham a hegemonia do futebol de Santa Catarina. O cenário de dois anos antes, por exemplo, corrobora.  No final de 2010, o Avaí era o único representante na primeira divisão e o Figueirense voltava à elite. Enquanto Criciúma, Joinville e Chapecoense estavam mais atrás. O Tigre celebrava o retorno à Série B, o JEC estava na Série C e o time do oeste permanecia na terceira divisão.

Gerente de futebol do Figueirense de 2010 até o fim de 2012, Chico Lins não tem dúvida: a temporada foi do interior. Ex-atleta e há anos como dirigente esportivo, Chico espera que Figueirense e Avaí possam enxergar nos rivais do estado lições para ter chance de retomar a hegemonia que tinha há alguns anos.

- Acho que os resultados demonstram que o futebol da capital ficou para trás. Pela maneira de levar as coisas, os times do interior foram melhores no ano. Falo mais pelo Figueirense, que teve uma guerra absurda nos bastidores. Acho que os times da cidade (Florianópolis) precisam do exercício da humildade, de reconhecer o bom trabalho. Na verdade é algo não só para o futebol, mas também para a vida – comenta Chico.

Os resultados apontam para a evolução do futebol barriga verde. Entre os 10 clubes que vão disputar o Campeonato Catarinense de 2013, cinco serão das séries A e B do Campeonato Brasileiro. Cenário que faz com que o treinador do acesso do Criciúma (veja vídeo acima) e garantido no cargo para temporada seguinte, Paulo Comelli, vislumbre uma disputa mais acirrada a partir de 20 de janeiro, quando a bola rola para o estadual.

- Acho que o nível dos clubes do interior foi excelente e os da capital não foram bem. Acredito que o Campeonato Catarinense vai ser muito interessante, porque vai ter cinco clubes das séries A e B. Prevejo um nível mais alto do que os anos anteriores – diz.



domingo, 30 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: o Avaí do título estadual ao apagão ofensivo

Da arrancada para o 16º catarinense ao apagão ofensivo que deixou a equipe fora da briga pelo acesso à Série A. O ano de 2012 foi de alegrias ao torcedor azurra no primeiro semestre, mas de desilusão no decorrer da Série B do Brasileiro. O mesmo grupo que conseguiu a recuperação e a conquista no estadual, vencendo o Figueirense, maior rival, desapontou na competição nacional.

No Brasileirão, o ataque definhou. Os técnicos Hemerson Maria e Argel Fucks, que comandaram a equipe na Série B, não encontraram a fórmula para acertar a pontaria da linha de frente. Por isso, terminou em sétimo lugar na competição nacional.

O GLOBOESPORTE.COM preparou uma retrospectiva com os principais momentos do Leão de Santa Catarina no ano de 2012. Confira.

header_materia_retrospectiva2012_PERSONAGEM (Foto: infoesporte)

Treino do Avaí, Hemerson Maria (Foto: Renan Koerich/Globoesporte.com)Sob o comando de Hemerson Maria, o Avaí se
recuperou e conquistou o Campeonato Catarinense
(Foto: Renan Koerich/Globoesporte.com)

Das bases do Avaí, Hemerson Maria foi chamado para comandar a equipe depois da demissão do técnico Mauro Ovelha. A equipe tinha poucas chances de conseguir a classificação para a segunda fase do Campeonato Catarinense. Mas, sob a tutela do Maria, o time conseguiu boa sequência de vitórias. O que parecia improvável se realizou: o Leão sagrou-se campeão catarinense tendo como palco a casa do maior rival: o Figueirense.

Hemerson Maria conquistou a confiança do elenco e o apoio da torcida rapidamente. Quando foi dispensado, com a justificativa de que um novo comandante daria ao grupo a motivação que faltava, Maria se emocionou e recebeu homenagens de torcedores.

header_materia_retrospectiva2012_MELHOR-JOGO (Foto: infoesporte)

A boa sequência de resultados positivos no Campeonato Catarinense levaram o time para a final. O Avaí recebeu o rival Figueirense na Ressacada, no primeiro jogo, e não foi um bom anfitrião. O Leão venceu por 3 a 0 e garantiu vantagem importante para o jogo de volta, no Orlando Scarpelli. O Figueirense teve a melhor campanha do estadual, mas não conseguiu superar a Azurra. A segunda partida terminou 2 a 1 para os visitantes, que conquistaram o título.

header_materia_retrospectiva2012_PIOR-JOGO (Foto: infoesporte)

O Avaí precisava vencer para tentar um último embalo e continuar sonhando com a Série A de 2013. Mas o adversário estava em grande fase e aproveitou as falhas da defesa do Avaí. O Goiás garantiu os três pontos na Ressacada e deu sequência na arrancada para o título. Os esmeraldinhos venceram por 4 a 1.Os goianos marcaram três em bolas paradas. O resultado deixou o time catarinense praticamente sem chance de conseguir o acesso, enquanto a equipe goiana empatou em número de pontos com o Criciúma, na liderança da Série B.

header_materia_retrospectiva2012_SURPRESA (Foto: infoesporte)

No segundo turno do Campeonato Catarinense, o atacante Gilmar se desentendeu com o então técnico Mauro Ovelha. O jogador ficou insatisfeito por não ser utilizado na vitória sobre o Criciúma (2 a 0, em Criciúma) e chutou uma placa na beira de campo. O jogador, que estava há pouco mais de um mês no Avaí, foi afastado do clube. O treinador permaneceu no cargo por mais 20 dias. Com os resultados ruins, o técnico foi demitido e no seu lugar assumiu Hemerson Maria.
 

header_materia_retrospectiva2012_DECEPCAO (Foto: infoesporte)

O ataque do Avaí na Série B foi a maior decepção do clube em 2012. O time não transformava as oportunidades em gols. Os dirigentes tentaram reforços. Os jogadores que vieram furstraram no gramado. Entre eles, Ricardo Jesus. Mesmo com o nome 'salvador', o atleta ficou abaixo das expectativas e foi dispensado antes do fim da temporada. Ele marcou apenas um gol em dez partidas disputadas.

header_materia_retrospectiva2012_GOLACO (Foto: infoesporte)

O jogo já não valia nada, mas o time do Avaí entrou em campo com vontade de jogar. Laércio, em especial, buscou oportunidades e balançou a rede duas vezes, garantindo a vitória avaiana sobre o ABC, na 35ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. O Avaí não tinha chances de conseguir o acesso, mas o jovem atacante queria mostrar serviço. O segundo gol, aos 45 minutos da etapa inicial, foi uma pintura. O atacante driblou o zagueiro, limpou o lance e chutou da entrada da área. Acertou o ângulo, sem chances para o goleiro Andrey.

header_materia_retrospectiva2012_FRASE (Foto: infoesporte)

João Nilson Zunino, presidente do Avaí (Foto: Sávio Hermano / GLOBOESPORTE.COM)João Nilson Zunino, presidente do Avaí, cobra dívida
do Fla (Foto: Savio Hermano / globoesporte.com)

‘O Flamengo foi o grande culpado por tudo isso", disse o presidente do Avaí, João Nilson Zunino, sobre os atrasos de pagamento do clube. O time carioca, quando acertou a contratação do zagueiro Renato Santos e do meia Cleber Santana. Porém, pagou apenas a entrada e atrasou as demais parcelas. O Flamengo não negou a dívida com o Avaí. Segundo o dirigente do Leão catarinense, o Fla não é o único a dever dinheiro ao clube.

header_materia_retrospectiva2012_LEMBRA-DISSO (Foto: infoesporte)

Por duas vezes os jogadores do Avaí invadiram uma coletiva de imprensa interrompendo o presidente do clube João Nilson Zunino. Na primeira vez, o dirigente apresentava Marcelinho Paulista como novo gerente de futebol. Os jogadores não gostaram e cobraram justificativas para a saída de Carlos Arini. Na segunda, no entanto, eles foram demonstrar apoio quando Zunino contou que ficaria afastado enquanto tratava um câncer no pulmão.

header_materia_retrospectiva2012_CRAQUE (Foto: infoesporte)

Em campo durante quase todas as partidas enquanto defendeu o Avaí, Cleber Santana foi corpo e alma da equipe. Além de criar jogadas e servir os atacantes, o camisa 10 foi artilheiro do time na Série B, com 8 gols.Líder, foi um dos principais jogadores na campanha do título estadual. Com a ida ao Flamengo, os azurras perderam a referência de criação.header_materia_retrospectiva2012_ADEUS (Foto: infoesporte)

Com a camisa do Avaí, o Iluminado saiu definitivamente de campo. O atacante Evando anunciou sua aposentadoria ao fim da temporada. O jogador é um dos ídolos do clube, lembrado pelos importantes gols na campanha do acesso em 2008. .O atacante recebeu o carinho e a homenagem do clube e da torcida na última partida do Avaí na temporada, no jogo que encerrou a Série B, contra o Criciúma, na Ressacada.

—  Agora vou sentar ali na arquibancada e sofrer mais do que aqui dentro. Lá fora não pode chutar. Mas valeu a pena — disse o atacante após a despedida.

header_materia_retrospectiva2012_CAMPANHA (Foto: infoesporte)

Com a moral baixa depois do rebaixamento em 2011 e um começo ruim no Campeonato Catarinense, o Avaí conseguiu uma boa arrancada no segundo turno do estadual. Classificado para a decisão, o time levantou a taça no estádio do principal rival, o Figueirense. Na final o Leão venceu os dois jogos, 3 a 0 e 2 a 1, e chegou motivado para disputa da Série B.

Na competição nacional, o Leão não conseguiu manter a regularidade. O time teve uma das melhores defesas da Série B, mas a incapacidade de concluir as jogadas fez com que os resultados não fossem suficientes para a conquista da vaga na Série A. O time catarinense terminou a Série B em sétimo lugar, com 59 pontos.



Retrospectiva 2012: SC tem Avaí campeão, uma queda e dois acessos

Zé Roberto comemora gol do Criciúma contra o Avaí (Foto: Fernando Ribeiro / Futura Press)Com 27 gols de Zé Carlos, Criciúma conquista vaga na Série A (Foto: Fernando Ribeiro / Futura Press)

Na primeira metade do ano, os olhos do estado se voltaram para a capital. No segundo semestre foi a vez dos times do interior. Figueirense e Avaí fizeram campanhas distintas no Campeonato Catarinense. No entanto, cada um fez seu caminho até a final, vencida por quem vestia azul e branco. Porém, Santa Catarina comprou novamente o equilíbrio dos estaduais. Foram os times do interior que representaram melhor os barriga verde em competições nacionais. O Criciúma tornou-se o representante catarinense na Série A, ‘herdando’ a vaga do Figueira. A Chapecoense tratou de elevar o crescimento do futebol do estado com o acesso à Série B.

O ano termina com cinco times de Santa Catarina entre os 40 das duas primeiras primeiras divisões do futebol nacional de 2013. O Criciúma celebrou a volta à Série A após seis anos como se fosse um título. Mas quem comemorou com caneco na mão foram Avaí e Joinville, em âmbito estadual. O time da Ressacada tornou-se o detentor de maior número de títulos – o 16º foi conquistado sobre o arquirrival Figueirense. O JEC levou a Copa SC e materializou um velho sonho: voltar a disputar a Copa do Brasil.

Reveja momentos e fatos marcantes do que rolou junto com a bola pelos gramados e times de Santa Catarina

header_materia_retrospectiva2012_PERSONAGEM (Foto: infoesporte)

Argel Fucks praticamente não saiu da boca da imprensa esportiva catarinense. No ano, o gaúcho de Santa Rosa foi o treinador de três equipes do estado e pôde colocar no currículo passagens pelos principais clubes de Santa Catarina. Técnico do Criciúma no acesso à Série B em 2010, Argel foi a aposta do Joinville para chegar nas fases decisivas do Catarinense. Ficou pelas semifinais, derrotado pelo Figueirense que abriria as portas para sua primeira experiência na Série A. Não teve sucesso, mas ganhou respaldo para ser contratado pelo Avaí na luta pelo retorno à elite. Em 2012, construiu seu nome em SC. 

header_materia_retrospectiva2012_DIA-CHAVE (Foto: infoesporte)

No dia 17 de novembro, os catarinenses tiveram a confirmação de que ainda teriam um representante na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. O Criciúma pode não ter conseguido vencer o Atlético-PR no Heriberto Hülse lotado. Porém, o 0 a 0 foi o suficiente para reconduzir o time do sul do estado à Série A, após oito anos. Desta forma, o Tigre ‘herdava’ a vaga que o Figueirense deixava com a derrocada no Brasileirão. A equipe alvinegra terminou a competição em último lugar.

header_materia_retrospectiva2012_MELHOR-JOGO (Foto: infoesporte)

A terceira rodada do returno do Campeonato Catarinense não foi uma mera rodada. Teve um embate regado à emoção. O Figueirense tinha o título da primeira fase e rumava forte às finais no segundo turno. O Joinville encaminhava o crescimento na competição. Quando os dois clubes bateram de frente, deu 3 a 3 no placar, em jogo no Orlando Scarpelli. No primeiro tempo, o Figueira parecia ter solidificado a vitória, marcando os três gols. Porém, o JEC não abandonou a luta e conseguiu o empate.

header_materia_retrospectiva2012_PIOR-JOGO (Foto: infoesporte)

A expectativa era de um confronto cheio de emoções, uma vez que o Joinville defendia em casa a quarta posição no G-4 da Série B e o Avaí precisava do triunfo fora para retomar o embalo na luta pelo acesso. Mas o confronto entre os dois times na 23ª rodada da segunda divisão nacional foi de poucos arremates e só teve triunfo porque foi assinalada uma penalidade máxima, muito protestada pelos jogadores de azul. Ricardinho botou no meio do gol e o clássico catarinense terminou em 1 a 0 para o JEC.

header_materia_retrospectiva2012_SURPRESA (Foto: infoesporte)

Depois da conquista do título estadual sobre o arquirrival, os torcedores do Avaí têm outra boa recordação de 2012: a arrancada no Catarinense para chegar na final. Até o início do segundo turno da competição, o time azurra não engrenava. Saiu o técnico Mauro Ovelha e assumiu Hemerson Maria. Com apenas quatro jogos no segundo turno e munido do meia Com Cleber Santana e companhia, ele conquistaria três vitórias e um empate que fariam o time se classificar com a terceira posição no geral. O embalo que tomou foi suficiente para bater o Figueirense na final e levantar o caneco estadual.

header_materia_retrospectiva2012_DECEPCAO (Foto: infoesporte)

A sétima colocação na Série A do Brasileirão de 2011 encheu a torcida do Figueirense de esperanças de alcançar feitos maiores no ano seguinte. Porém, o clube entrou na zona de rebaixamento na nona rodada do campeonato para não sair mais. Chegou a fica 14 rodadas sem vencer e viveu de suspiros até a 35ª partida. No Orlando Scarpelli, o time empatou em 1 a 1 e teve a queda decretada.

header_materia_retrospectiva2012_GOLACO (Foto: infoesporte)

Das poucas lembranças do torcedor do Criciúma no Campeonato Catarinense, vai ficar o belo gol do meia-atacante Lucca. Ele fez dois na vitória por 7 a 0 sobre o Camboriú, pela quarta rodada do segundo turno. O segundo foi o mais bonito. Aos 35 da etapa final da partida no Heriberto Hülse, ele matou no peito o passe de Zé Carlos, nos arredores da marca da cal. Cortou o defensor, fuzilou e celebrou.

header_materia_retrospectiva2012_POLEMICA (Foto: infoesporte)

Deu de tudo no encontro do Joinville diante do Ceará, no Presidente Vargas, pela 25ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Até voz de prisão no gramado. Naquela tarde-noite de setembro, o JEC saiu atrás por dois gols de diferença. Conseguiu a virada e sofreu outra para o Vozão, aos 32 minutos. No final da partida teve um gol anulado que desencadeou uma confusão. O goleiro Ivan recebeu voz de prisão antes do apito final por desacato à autoridade – os policiais entraram nas quatro linhas para tentar apaziguar os ânimos. Saldo: dois expulsos e derrota para o time catarinense.

header_materia_retrospectiva2012_FRASE (Foto: infoesporte)

Delfim Peixoto, presidente da FCF (Foto: Divulgação, FCF)Delfim: 'Que o Avaí ajude um companheiro seu'
(Foto: Divulgação, FCF)

O presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto, esteve presente no jogo do Criciúma contra o Atlético-PR, na Série B do Brasileirão, e na festa do time pelo acesso à primeira divisão. Era a penúltima rodada da competição e o Tigre tinha chance pequena de título. Porém, precisaria vencer o Avaí e o Joinville bater o Goiás, que ficaria com o título após o último jogo. Em meio às comemorações, Delfim sugeriu que os catarinenses contribuíssem para uma quarta conquista nacional ao time do sul do estado.

- Nós vamos torcer para que o Goiás perca e porque não o Avaí não ajudar e perder o jogo também? Que o Avaí ajude um companheiro seu, um catarinense. Poderia ajudar o Criciúma a ser campeão.header_materia_retrospectiva2012_LEMBRA-DISSO (Foto: infoesporte)

O Cruzeiro esteve no oeste de Santa Catarina para o embate pela segunda fase da Copa do Brasil. A Chapecoense foi um adversário duro, dificultou para o time mineiro. No entanto, os cruzeirenses não debitaram o 1 a 1 no Índio Condá, pelo jogo de ida, ao Verdão. Saíram reclamando do gramado do estádio catarinense. No jogo de volta, o Cruzeiro fez 4 a 1 e deu fim à aventura da equipe catarinense.header_materia_retrospectiva2012_CRAQUE (Foto: infoesporte)

Pelas façanhas no Campeonato Catarinense, Lucca foi eleito a revelação da competição. Com a camisa do Criciúma entraria com tudo na Série B do Campeonato Brasileiro. A ascendente foi mais forte no início do segundo turno da competição nacional. Quando somava 11 gols na segunda divisão do futebol do Brasil, teve a ruptura dos ligamentos do joelho esquerdo, na 30ª rodada do campeonato. Nem por isso deixou de ser cobiçado por gigantes do país.

header_materia_retrospectiva2012_ADEUS (Foto: infoesporte)

Uma luz se apagou na Ressacada quando terminou a Série B deste ano. O 1 a 1 com o Criciúma foi a última partida do atacante Evando como profissional. Identificado com o clube, parou aos 35 anos com a camisa avaiana. Enquanto em um canto o Tigre celebrava o vice-campeonato, a Ressacada prestava homenagens ao jogador que fez 117 jogos pelo clube e ganhou a alcunha de ‘Iluminado’ por parte dos torcedores. Deixou o futebol profissional com a autoria de gols importantes pelo Leão catarinense.



sábado, 29 de dezembro de 2012

VOTE! Ajude o LANCE!Net a escolher o gol mais bonito de 2012!

LANCEPRESS! - 29/12/2012 - 20:00 Rio de Janeiro (RJ)

A Fifa vai escolher o gol mais bonito de 2012 só em janeiro, mas aqui no LANCE!Net você pode eleger seu preferido ainda este ano, que pode-se dizer que foi a temporada dos golaços. Teve de tudo. Meio time driblado, voleios incríveis, chutes e bicicletas de fora da área... Não faltam boas opções nesta seleção de pinturas. Confira os gols no clipe acima e tenha a difícil missão de optar pelo melhor do ano. Boa sorte!

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Avaí encaminha acerto com Rodriguinho, emprestado pelo Flu

Treino do Fluminense - Rodriguinho (Foto: Photocâmera)Rodriguinho será emprestado pelo terceira vez
(Foto: Photocâmera)

O atacante Rodriguinho, do Fluminense está perto de ser novo reforço do Avaí para a temporada 2013. O jogador, de 30 anos, firmará inicialmente um contrato de empréstimo. Depois do Campeonato Catarinense será jogador definitivamente do Leão da Ilha de Florianópolis. Rodriguinho é esperado na Ressacada no dia 2 de janeiro, data da reapresentação do grupo avaiano.

Com contrato com o campeão brasileiro de 2010 até o dia 5 de maio do próximo ano, Rodriguinho havia sido informado da intenção da diretoria tricolor de emprestá-lo mais uma vez - o atacante disputou o último Brasileirão pela Portuguesa. Desta forma, o Avaí, do técnico Sérgio Soares, que trabalhou com o atleta no Santo André, demonstrou interesse no jogador.

No entanto, mesmo disponível para empréstimo e com o desejo do Leão, o vínculo com o Fluminense passou a ser uma dificuldade para o acerto. O contrato de Rodriguinho com o time tricolor termina antes das finais do Campeonato Catarinense – no dia 19 de maio -, o que para a diretoria avaiana seria um problema.

- É um nome que tem grande potencial. A vinda dele para o Avaí depende da colaboração do Fluminense. O atleta tem vontade e tem um acordo possível de ser executado a partir de janeiro com o Avaí. Basta a gente finalizar algumas situações para que ele possa fazer parte do grupo – conta Júlio Rondinelli, coordenador de futebol do Avaí.

A alternativa seria o Fluminense irá prorrogar o vínculo com o atacante por mais três meses – até agosto - para que o clube catarinense possa contar com o jogador em uma eventual final de Estadual. Além disso, ao término do contrato com o Flu, Rodriguinho estará livre para firmar um vínculo mais longo e ser jogador do Leão de forma definitiva. As tratativas estão em andamento e devem ser finalizadas nos próximos dias.

No inicio do mês de dezembro, o gerente de futebol do Flu, Marcelo Teixeira, havia colocado Rodriguinho e outros nomes à disposição do mercado para empréstimo. Antes de defender a Portuguesa neste ano, Rodriguinho também foi cedido para o Atlético-PR em 2011.



Sem descartar Reinaldo e Morais, Boavista mira atacante Anselmo

Anselmo, atacante do Atlético-GO (Foto: Divulgação/Atlético-GO)Atacante Anselmo, ex-Dragão, pode estar perto do
Boavista (Foto: Divulgação/Atlético-GO)

A diretoria do Boavista não para em função do mercado da bola. Nesta última quinta (27), o time anunciou o acerto da contratação do lateral-direito Léo, ex-Figueirense, e o meia Leandro Chaves, que já atuou pelo Verdão e estava no Tigres do Brasil. O clube, no entanto, quer mais. Após revelar negociações avançadas com o atacante Reinaldo e o meia Morais, a equipe da cidade de Saquarema já tem um novo alvo: Anselmo, que se destacou no Brasileirão 2011 pelo Atlético-GO.

- Eu não divulgo nomes que não estejam em negociações avançadas. Posso dizer que a contratação do Anselmo está quase certa – afirmou Américo Faria, diretor executivo do Boavista, com exclusividade ao GLOBOESPORTE.COM.

O atacante foi um dos principais destaques do Atlético-GO no Campeonato Brasileiro de 2011, com sete gols marcados. Valorizado, o atleta não permaneceu no Dragão e acabou sendo negociado com o futebol chinês. Outro nome dado como “quase certo” pelo diretor executivo é o do atacante Erick Flores, que pertence ao Flamengo, mas veste a camisa do Avaí atualmente.

Apesar da mudança de estratégia da diretoria, o Boavista não descarta a contratação de Reinaldo e Morais e diz que outras negociações também estão em andamento.

- Não descartamos o Reinaldo e Morais, mas eles ainda não são certos. As negociações haviam avançado, mas não houve nenhuma evolução nas conversas recentemente. Também estamos trabalhando na contratação de outros jogadores para a temporada 2013 – finalizou Américo.

O Boavista estreia no Campeonato Carioca 2013 contra o Vasco da Gama no dia 19 de janeiro, às 19h30, no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda.
 



Entre a esperteza e a trapaça: como o 'jeitinho brasileiro' entra em campo

soccerex coletiva Chris Eaton (Foto: André Durão/Globoesporte.com)Chris Eaton, diretor de integridade da ICSS, tem 
opinião forte: simulação pode levar à corrupção
(Foto: André Durão/Globoesporte.com)

Chris Eaton, um australiano, é diretor de integridade da ICSS, o Centro Internacional de Segurança no Esporte, entidade sem fins lucrativos criada no Qatar para investigar, em diálogo com a Fifa, questões relacionadas à proteção aos atletas, ao comportamento deles em campo e ao combate à corrupção, expressa principalmente com a venda de resultados. Quando vê um jogador de futebol simulando, fingindo, enganando o árbitro, o dirigente sente um temor: de que aquele sujeito de chuteiras seja um corrupto em potencial.

É uma visão combativa, certamente vista como exagerada por muitos. E que amplia a discussão sobre os limites da simulação em um campo de futebol. Para Eaton, no momento em que um jogador abre brecha para o fingimento com o objetivo de vencer uma partida, a corrupção está mais viva; se o atleta dá uma concessão à burla da regra, também faz uma concessão em seu caráter, e aí abre o caminho até para ajeitar resultados - a grande preocupação dele na ICSS.

Será? No futebol brasileiro, tão acostumado à encenação, a opinião de Chris Eaton pode soar radical. É uma questão de estabelecer onde fica a fronteira entre o legal e o ilegal, o moral e o imoral: se o fingimento é mais uma face da esperteza ou se é pura e crua trapaça. Em um debate com mais perguntas do que respostas, o GLOBOESPORTE.COM ouviu personagens de diferentes áreas do futebol para discutir os limites da malandragem, do jeitinho brasileiro, nos campos de futebol - para tentar entender de onde viemos e para onde vamos.

Luiz Adriano se desculpa, Seedorf faz pedido

"O choro é livre", escreveu o brasileiro Luiz Adriano, atacante do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, no dia 20 de novembro, em seu perfil no Twitter. No instante em que usava o limite de 140 caracteres da rede social para ironizar seus críticos, o jogador já era alvejado por meio mundo por causa do gol que acabara de marcar sobre o Nordsjaelland, da Dinamarca, pela Liga dos Campeões da Europa. Depois de a arbitragem parar o jogo para atendimento médico a dois atletas, Luiz Adriano pegou uma bola que aparentemente seria devolvida ao adversário, driblou o goleiro e fez o gol (recorde no vídeo). Ao fintar a gentileza, um mandamento das quatro linhas em lances de lesão, Luiz Adriano ajudou sua equipe a golear por 5 a 2, mas se deu mal depois: levou um jogo de suspensão, teve que pedir desculpas públicas, virou sinônimo de desrespeito ao fair play. E apagou a mensagem que deixou no Twitter...

Os lamentos, pelo extremismo do lance, foram quase unânimes - Luiz Adriano argumentou que estava desatento na jogada, incapaz de perceber que era um momento de fair play. A revolta se sustentou em uma percepção: de que mais do que um desrespeito à regra, foi um momento de desconsideração à moral do esporte - esse conjunto invisível de normas que dita o comportamento dos atletas enquanto estão competindo.

O lance de Luiz Adriano pode ser cruzado com declarações dadas em outubro por Clarence Seedorf. O holandês do Botafogo se mostrou incomodado com aquilo que ele diagnosticou como um hábito do jogador brasileiro: simular, fingir, tentar levar vantagem (observe no vídeo ao lado).

- O futebol tem uma importância enorme, socialmente falando, e os jogadores precisam ser mais leais. Ser malandro parece um pouco demais. É importante que haja solidariedade, que sejam honestos. (...) Jogar-se no chão para o árbitro entender mal a jogada é uma malandragem, e não respeito isso - disse o jogador ao "Esporte Espetacular".

Esperteza ou trapaça? Outra face do talento ou concessão à desonestidade? Abaixo, o leitor encontra a visão de personagens de campos variados do futebol sobre o assunto.

De onde viemos: a sociedade, a cultura, a arbitragem

Paulo Autuori treina a seleção do Qatar. O Oriente Médio é mais uma cultura a rechear a carreira do técnico brasileiro, campeão por clubes como Botafogo, Cruzeiro e São Paulo. Ele já teve vivências na América do Sul (Peru), na Europa (Portugal) e na Ásia (Japão). Conhece diferentes sociedades e os códigos que as regem. E parte de uma ideia inicial ao analisar o comportamento dos atletas: de que absolutamente nada no futebol brasileiro pode ser observado fora do contexto social do próprio país.

Paulo Autuori, do Al-Rayyan, do Qatar (Foto: Divulgação)Paulo Autuori, técnico do Qatar, alerta contra a
hipocrisia no futebol Foto: Divulgação)

- O futebol é um fenômeno sócio-econômico. Não podemos deixar de associar o lado cultural com as coisas que se passam na sociedade. Acho muita graça quando um cidadão comum fica p... porque alguém tenta passar a perna nele. O cara fica p.... Mas quando é o time dele que ganha num lance de malandragem, ele acha legal. Como cidadão, não gosta de ser ludibriado, mas se transforma quando é torcedor e admite essa malandragem para que seu time ganhe. É uma contradição. Cheira a hipocrisia. Nunca vou deixar de associar esse lado social desse lado esportivo. Trabalhamos no futebol, mas existe uma vida por trás - opina o treinador, por telefone, desde Doha, no Qatar.

Ou seja: um sujeito se irrita quando alguém fura a fila, quando o ônibus não para no ponto, quando o teleatendimento de uma empresa qualquer o segura durante eternidades na linha, mas aceita que seu centroavante cave um pênalti. Ronaldo Helal, sociólogo, professor da faculdade de comunicação social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, corrobora a visão de Autuori ao lembrar que a malandragem é um elemento da cultura brasileira - por vezes louvado, visto por um viés positivo, de criatividade, de inteligência. Ele lembra de dois personagens clássicos de nossa literatura: Leonardo, em "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida, e Macunaíma, o herói sem caráter de livro homônimo de Mário de Andrade. Os malandros cantados por Chico Buarque, Bezerra da Silva ou Zeca Pagodinho ou encenados por Hugo Carvana, Nuno Leal Maia ou Joel Barcelos também são exemplos.

- Isso não está no eu. Está no nós. É da literatura, e vai para a imprensa. O aluno passa no vestibular e mente que levou uma vida normal, que não estudou tanto assim. O repórter pega e deixa a edição mais bonita. É assim. É uma coisa cultural mesmo.

Jefferson no treino do Botafogo (Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)Jefferson vê simulações como um defeito do atleta
brasileiro (Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo)

Daí para o campo, é um passo. Parece claro que se trata de uma característica do jogador brasileiro. Mas a dúvida, maleável de acordo com a opinião de cada um: é um defeito? Para Jefferson, goleiro do Botafogo e da seleção brasileira, é.

- Cada país tem uma cultura. Na Argentina, os caras são catimbeiros. O brasileiro gosta de ser esperto, quer ser malandro. E acha que é mais esperto que o outro. É um defeito. É feio. O jogo fica ruim. E sabemos que os goleiros também fazem isso. Às vezes, está 1 a 0 e o cara fica matando tempo - observa o jogador.

Mas a visão crítica não é unânime. Há quem veja nessa malandragem uma simples ação de jogo, um macete legal para vencer a partida. Zinho, ex-jogador da seleção brasileira, ex-treinador do Miami FC e ex-diretor do Flamengo, acha válido, por exemplo, um atleta forçar o terceiro cartão amarelo em seu time quando está convocado para defender a Seleção. Em lances de simulação, ele opina que cabe mais ao árbitro punir do que ao jogador evitar.

- A questão do cartão é até normal. O cara já vai ficar fora do jogo. Não me parece que seja burlar a lei. E a simulação, cabe ao árbitro punir. Tem coisas que fazem parte, que são da atmosfera do futebol, mas não podem ser ilegais. Se o jogador simula, o árbitro tem que punir. Se não pode proibir o jogador de matar tempo, tem que dar acréscimo.

Em 2011, Kleber Gladiador, hoje no Grêmio, teve um lance parecido com o de Luiz Adriano em jogo entre o Palmeiras e o Flamengo. A bola foi parada para atendimento médico, e parecia que seria devolvida aos rubro-negros. Mas o atacante partiu com ela na direção do gol - chutou para fora (o lance está no quadro abaixo). Depois, declarou:

- Acho que tem muita hipocrisia. O fair play é bom só para tua equipe, né? Para a equipe dos outros, não é bom. É legal o juiz falar que só pode bater a falta depois do apito e mesmo assim o cara bater? É legal? É legal o jogo parar e o cara (em referência a Ronaldinho Gaúcho) tentar tocar por cima do Marcão (o ex-goleiro Marcos) para ganhar tempo? Onde está o fair play?

A arbitragem é uma questão central. Jogadores, treinadores e ex-atletas reclamam que os apitadores brasileiros transformam qualquer contato em falta. Consequentemente, isso estimula o boleiro a simular em campo - para levar a vantagem da marcação do juiz. De fato, o Campeonato Brasileiro, considerados os principais do mundo, é aquele com maior número de faltas, como mostrou em outubro o blog do ex-árbitro Leonardo Gaciba, comentarista da TV Globo e do SporTV. Aqui, o jogo é parado quase duas vezes mais do que na Argentina, por exemplo.

- Se eu fosse um diretor de árbitros, chamaria a imprensa e diria que os árbitros estão orientados a deixar o jogo correr. Temos que baixar o número de faltas. Se a comissão desse esse aval, a coisa iria mudar - comenta Gaciba.

Belletti soccerex (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Belletti: brasileiros são chamados de Mickey Mouse
na Europa (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Vira a velha questão do ovo ou da galinha: quem nasceu primeiro? São dois caminhos: ou o árbitro brasileiro marca mais faltas porque o jogador daqui simula mais, ou o jogador daqui simula mais porque o árbitro brasileiro marca mais faltas. Seja como for, parece haver um equilíbrio entre o teatro do atleta e a permissividade do apito. O problema é quando o brasileiro vai para culturas menos simpáticas à simulação. Aí ocorre um choque, como exemplifica o ex-lateral-direito Belletti, que defendeu clubes como Barcelona e Chelsea na Europa.

- Eles ficam muito incomodados quando o jogador brasileiro tenta simular. Não aceitam. Na Europa, o jogador brasileiro é chamado de Mickey Mouse, acho que por ser um rato, por tentar ser mais esperto. Lembro de uma vez, quando eu estava no Chelsea, antes de um jogo, no túnel, me preparando para entrar em campo, em que o Makelele (ex-volante francês) olhou para mim e disse: "Não tente se atirar no campo, porque aqui não funciona assim".

Mas a simulação não é exclusividade brasileira. Longe disso. Fora do país, pipocam encenações, algumas que ultrapassam o limite do ridículo, como aconteceu no jogo entre Chile e Equador, pelo Sul-Americano Sub-20 de 2011. Bryan Carrasco, da seleção chilena, pegou o braço de um adversário e o jogou contra seu rosto, fingindo ter levado um soco. Em 2009, na Suécia, um goleiro tentou diminuir o tamanho do próprio gol, mexendo na posição da trave.

Para Autuori, a questão não está na exclusividade, mas na frequência. O jogador brasileiro simula mais, na opinião dele.

- Quando a gente fala em corrupção no Brasil, precisamos saber que realmente existe em todo lugar, mas esporadicamente; no Brasil, é a toda hora. Quando algo é usado por quase todos, vira uma característica. O mesmo vale para isso de tentar ser malandro. O futebol brasileiro não precisa disso. Se eu disser que não vejo isso em outros lugares, estarei mentindo. Eu vejo, mas de forma esporádica. E mais: quando acontece, é punido. Pode passar pelo árbitro, mas depois, com vídeo, quem fez acaba tomando punições.

Ludibriar árbitros e adversários não é cria dos últimos anos. Em 1962, pegando um exemplo clássico, Nilton Santos cometeu pênalti contra a Espanha, mas deu um passo para fora da área, e o juiz caiu na ilusão dele. Marcou falta. Em 1969, Dé (o Aranha), do Bangu, arremessou uma pedra de gelo na bola, em jogo contra o Flamengo, e assim desarmou o zagueiro Reyes e fez o gol. Em 1957, Nelson Rodrigues escreveu uma crônica em que citava uma "cusparada metafísica" como protagonista de um jogo. Explica-se: em partida entre o Flamengo e o Canto do Rio, o rubro-negro Dida cuspiu na bola antes de cobrança de pênalti para a equipe adversária - para desconcentrar Osmar, o batedor. Bingo: ele errou o pênalti.

- Isso sempre existiu. Mas na minha época chamavam de "recurso" - brinca Carlos Alberto Torres, capitão do Brasil no tricampeonato mundial, em 1970.

Para onde vamos: as categorias de base, a vigilância, a corrupção

Clemer, técnico dos juvenis do Inter (Foto: Divulgação)Clemer já viu técnico questionando garoto por não
ter tentado cavar um pênalti (Foto: Divulgação)

Clemer foi goleiro por mais de 20 anos. Defendeu clubes como Portuguesa e Flamengo antes de chegar ao Inter, onde foi campeão do mundo em 2006. Ele segue no clube gaúcho, mas agora como treinador. E treinador de garotos. Acaba de ser campeão brasileiro com o time juvenil. Com a vivência diária dos embriões de futuros profissionais, o treinador não tem dúvida: simulações nascem já nas categorias de base.

- Eu tento passar a meus atletas a ideia de seguir o jogo, de tentar o drible, de tentar a jogada. Falo isso pra eles. Quando você fala sério, fala com firmeza, eles aceitam, porque é um período de aprendizagem. Mas vejo muitos jogadores fazendo isso nas categorias de base. Já vi treinador dizendo pro menino: "Deveria ter caído, deveria ter cavado".

Segundo Clemer, a permissividade da arbitragem é a mesma nas categorias de base. E, de acordo com Gaciba, a propensão dos atletas para simular também já é vista ali.

- É uma política desde as categorias de base. Isso é ensinado ao jogador. Quando tem o contato, se ele tenta fazer o gol e não cai, é repreendido, chamado de burro - afirma o ex-árbitro.

Jefferson, goleiro do Botafogo, concorda.

- Isso vem da base. Desde criança, o menino cai na área e pede pênalti.

Os entrevistados para esta reportagem acreditam que vem aumentando a dose de simulação. E é uma contradição, já que a vigilância também é maior. Há mais câmeras de olho. Se o atleta encena em campo, corre o risco de ser ridicularizado depois. E até punido, como aconteceu com Luiz Adriano. A frequência de encenações é tanta, que o GLOBOESPORTE.COM criou, no Brasileirão, o quadro "Ator da rodada", mostrando lances claros de simulação (veja uma compilação dos lances no vídeo acima).

Em outros momentos e outras competições, há variações até cômicas. Em 2011, no jogo entre Operário-PR e Mirassol, pela Série D, o árbitro Rodrigo Nunes de Sá desabou no gramado quando um atleta se aproximou dele, alegando ter sido agredido. O vídeo ao lado indica que o apitador forçou a barra. Veja bem: um árbitro! Dois anos antes, o argentino Escudero, do Corinthians, simulou ter sido atingido... pela bandeira do assistente. Mais uma vez, as imagens mostraram que não passou de uma encenação.

Mas por que fazer isso? Por que correr o risco até de pagar mico para levar vantagem em um lance? Pelo valor que tem a vitória, talvez.

- O que o cara quer é ganhar o jogo. Depois ele vai ver se vão falar alguma coisa. Infelizmente, em algumas situações, pensando apenas no resultado, pode acabar valendo a pena o cara simular, porque o árbitro está pressionado, e o jogador (adversário) pode já ter um amarelo, por exemplo, e ser expulso - observa Clemer.

É aí que entra a preocupação de Chris Eaton. Para ele, a supervalorização dos resultados está no centro da discussão.

- Quanto mais dinheiro, quanto mais sucesso, quanto mais prestígio o esporte envolver, mais isso vai acontecer. As vantagens de se vencer são muito grandes - diz ele.

Autuori parte do mesmo raciocínio. Para ele, existe uma pressão exagerada pela vitória, e isso abre brechas para ações desesperadas.

- Isso vem crescendo a partir do momento em que cada um pensa que tem que passar a imagem da vitória, e aí passa a admitir qualquer coisa. É a vitoria a todo custo. Existe essa necessidade de ganhar de qualquer maneira. Essa pressão está matando muita coisa. O ser humano não tem necessidade de ser campeão 24 horas por dia. Ser vencedor não é isso.

O foco de Chris Eaton está na venda de resultados, um processo, segundo o australiano, crescente em todo o planeta, com jogadores cometendo pênaltis ou errando gols de propósito, para beneficiar apostadores. Por causa do perigo que cerca o futebol, o dirigente é rígido em sua percepção: simplesmente não podem existir poréns ao fair play.

- Quando os jogadores são condescendentes com as regras do jogo, podem acabar fazendo coisas muito piores. Quando você sai da linha, fica a um passo de fazer outras coisas. "Ah, este jogo não vale nada, por que você não aceita 50 mil euros para ajudar no resultado?". É preciso haver consequências para isso. As crianças estão vendo. Se elas veem esse tipo de coisa, vão fazer o quê?

FRASES O QUE ELES PENSAM SOBRE SIMULAÇÕES E MALANDRAGENS NO FUTEBOL (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)

Everardo Rocha, antropólogo, professor da PUC-Rio, cria uma ideia interessante: que o talento do jogador brasileiro já implica uma ideia de encenação, mas dentro da lei - enganar o adversário em um drible, iludir o goleiro em uma cobrança de falta, criar uma farsa em uma jogada que parece ser um chute direto, mas acaba sendo um lance ensaiado.

- O futebol tem uma característica que ajuda a fantasia, o inesperado, o drible. É mais imprevisível, é propício a enganar o adversário, surpreender. É isso de futebol moleque, que todo mundo adora. É a molecagem do Garrincha, contrária ao futebol mecânico dos europeus. É um futebol de ilusão, de engano, e esse lado foi muito glorificado pela torcida, pela mídia. São coisas ligadas à ilusão. Daí para você fazer uma coisa um pouco além, fora da regra, uma ilusão desonesta, é um passo muito pequeno. Esse excesso de glorificação do futebol artístico em oposição ao futebol mecânico, duro, tático, é facilitado em nosso imaginário.

O casamento entre o pensamento de Everardo Rocha sobre a origem dessa malandragem e o temor de Chris Eaton sobre as consequências dela criam três níveis no debate sobre a simulação em campo: primeiro, a encenação com a bola nos pés, legal, artística; segundo, o fingimento para iludir árbitros, para aproximar uma vitória; terceiro, a burla total à lei, com a corrupção, com a venda de resultados.

- Toda essa discussão pode não ser uma questão de lei, mas é uma questão de integridade e honestidade. Se o atleta não joga limpo, o que se pode esperar dele? - questiona Chris Eaton.



Com pouco espaço no Grêmio, Douglas Agrolli pode reforçar o Avaí

Sétimo colocado do Campeonato Brasileiro da Série B, o Avaí continua buscando reforços para  o objetivo de chegar à elite do futebol nacional no próximo ano seja conquistado. Com o orçamento para 2013 liberado pelo Conselho Deliberativo do clube, a diretoria sabe o que pode gastar para trazer novos nomes à equipe. Buscando reforçar o setor defensivo, Douglas Grolli é mais um zagueiro que pode cregar à Ressacada.

"Eu não sei oficialmente de nenhuma negociação, mas sem dúvida defender o Avaí é uma oportunidade interessante, sim. É um time grande, de respeito. Seria muito importante a oportunidade de jogar pelo Avaí, uma equipe que está na Série B e que tem uma visibilidade muito boa", afirmou o jogador ao Diário Catarinense.

Há uma semana, foi confirmada a contratação do zagueiro Alex Silva, que veio por indicação do técnico Sérgio Guedes, com quem trabalhou no Grêmio-SP em 2011. Caso Grolli seja confirmado, o jogador ajudará a equipe alviceleste a manter o posto de campeão catarinense, inclusive, o jogador já mostrou conhecer o futebol estadual.

"Hoje o futebol catarinense é muito forte. É um campeonato em que a tabela está crescendo, tem cinco times muito bem ranqueados em nível nacional, além de ser muito disputado. Dificuldades existem em qualquer clube que você vá passar, então é preciso passar por cima desse tipo de coisa. Com muito trabalho é possível superar as adversidades", concluiu.

Douglas Grolli defendeu o Grêmio em 2012, participando de oito partidas no Campeonato Gaúcho e apenas uma no Brasileirão. A reapresentação do elenco está marcada para o dia 2 de janeiro, data em que a equipe dá início às atividades de pré-temporada. O primeiro desafio do Avaí é no dia 20, diante do Atlético Ibirama, na Ressacada, pelo Campeonato Catarinense.