segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Dois acessos mostram força do futebol do interior de SC em 2012

Os resultados comprovam: os times do interior de Santa Catarina tiveram um 2012 melhor do que as equipes da capital. Criciúma, Joinville e Chapecoense conquistaram os objetivos que traçaram para as competições nacionais. Enquanto os de Figueirense e Avaí foram distintos do que fica guardado nas tabelas de classificação do Campeonato Brasileiro. Embora alvinegros e azurras tenham conquistado vaga na Copa do Brasil, por ficarem na frente dos demais no Catarinense, Criciúma e Chapecoense subiram de divisão no futebol do país.

Loco Abreu, Figueira x Atlético-MG (Foto: Luiz Henrique / Divulgação Figueirense FC)Contratado como estrela, Loco Abreu foi coadjuvante na campanha de rebaixamento do Figueirense
(Foto: Luiz Henrique / Divulgação Figueirense FC)

O Figueirense tinha como meta fazer frente por vaga na Libertadores da América, porém terminou rebaixado. A do Avaí era voltar à primeira divisão, mas terminou em sétimo – atrás de outros dois times do estado na Série B do Campeonato Brasileiro. Pelos cantos de Santa Catarina, o Criciúma voltaria à elite, após oito anos. Do norte, o Joinville manteve-se na B – ainda brigou por acesso – e estará na Copa do Brasil de 2013. Do oeste, a Chapecoense deixou a Série C para trás. O saldo é de cinco catarinenses entre os 40 das duas primeiras divisões nacionais. Em representatividade, em 2013 vai perder apenas para o estado de São Paulo, com nove equipes nas séries A e B – cinco na A e quatro na B.

Somente em 2012, o técnico Argel Fucks comandou três dos cinco clubes catarinenses que vão estar nas duas primeiras divisões do Campeonato Brasileiro. Ele esteve a frente de Joinville, durante o Campeonato Catarinense, do Figueirense, nas 10 primeiras rodadas da Série A e na reta final do Avaí na Série B do Brasileirão.  Direto, Argel justifica o momento do interior pela conta simples. Mas também acredita que o interior impulsiona o crescimento do futebol em solo barriga verde.

- O futebol catarinense está muito bem. Ter quatro clubes na Série B e um na Série A faz com que seja um mercado de trabalho muito bom. Trabalhei em três grandes clubes do futebol catarinense em 2012 – avalia.

Num cenário não muito distante, os times de Florianópolis detinham a hegemonia do futebol de Santa Catarina. O cenário de dois anos antes, por exemplo, corrobora.  No final de 2010, o Avaí era o único representante na primeira divisão e o Figueirense voltava à elite. Enquanto Criciúma, Joinville e Chapecoense estavam mais atrás. O Tigre celebrava o retorno à Série B, o JEC estava na Série C e o time do oeste permanecia na terceira divisão.

Gerente de futebol do Figueirense de 2010 até o fim de 2012, Chico Lins não tem dúvida: a temporada foi do interior. Ex-atleta e há anos como dirigente esportivo, Chico espera que Figueirense e Avaí possam enxergar nos rivais do estado lições para ter chance de retomar a hegemonia que tinha há alguns anos.

- Acho que os resultados demonstram que o futebol da capital ficou para trás. Pela maneira de levar as coisas, os times do interior foram melhores no ano. Falo mais pelo Figueirense, que teve uma guerra absurda nos bastidores. Acho que os times da cidade (Florianópolis) precisam do exercício da humildade, de reconhecer o bom trabalho. Na verdade é algo não só para o futebol, mas também para a vida – comenta Chico.

Os resultados apontam para a evolução do futebol barriga verde. Entre os 10 clubes que vão disputar o Campeonato Catarinense de 2013, cinco serão das séries A e B do Campeonato Brasileiro. Cenário que faz com que o treinador do acesso do Criciúma (veja vídeo acima) e garantido no cargo para temporada seguinte, Paulo Comelli, vislumbre uma disputa mais acirrada a partir de 20 de janeiro, quando a bola rola para o estadual.

- Acho que o nível dos clubes do interior foi excelente e os da capital não foram bem. Acredito que o Campeonato Catarinense vai ser muito interessante, porque vai ter cinco clubes das séries A e B. Prevejo um nível mais alto do que os anos anteriores – diz.