segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Clubes catarinenses buscam crescimento também nas gôndolas

Para garimpar novas receitas, os times de futebol passam a utilizar o fervor a seu favor. A paixão é o principal combustível de um clube e ela pode ser demonstrada não apenas nos gritos de incentivo nas arquibancadas, mas também na camisa, no boné, no chinelo e até no carvão do churrasco do final de semana. Em Santa Catarina, não faltam opções de produtos para alvinegros, azurras, alviverdes e tricolores que, além de demonstrar amor ao time do coração, ajudam no orçamento de quem recebe parte do lucro sobre os produtos originais. O mercado de licenciamento está em expansão. E não para de crescer.

Copos de chope com a marca do Criciúma (Foto: Lucas Sabino, Divulgação / Criciúma E. C.)Copos para cerveja estão entre os 400 itens com a marca do Criciúma
(Foto: Lucas Sabino, Divulgação / Criciúma E. C.)

Com as novas demandas, além das próprias camisas de jogos, os departamentos de marketing apostam no licenciamento de produtos distintos. Oito clubes catarinenses se organizaram para desenvolver em conjunto ações e artigos que alavanquem as receitas e combatam produtos piratas. Associação entre oito times catarinenses para projetos de licenciamento, o Futmarcas conta com Avaí, Joinville, Criciúma, Chapecoense, Metropolitano, Brusque, Junvetus (de Jaraguá do Sul) e Camboriú. O Figueirense desenvolve separadamente projetos de licenciamento.

Os produtos que recebem as marcas dos times e, automaticamente, geram dinheiro para os clubes são dos mais variados. Leite, água mineral e carvão para churrasco são exemplos dos itens vendidos. Em média, 10% do valor da venda é repassado à agremiação. Essa receita ajuda a bancar os investimentos na equipe de futebol ou em infraestrutura. O Avaí tem como premissa utilizar toda a verba arrecadada com a venda de produtos oficiais nas divisões de base.

Criciúma aposta no comércio virtual
A gestão do Tigre mostrou que mesmo trabalhando em diferentes frentes os resultados no futebol podem ser atingidos. O Criciúma é o único representante catarinense na Série A em 2013 e um dos clubes que mais apresentou novidades para os torcedores. Além de produtos, a loja oficial do clube, que completou um ano recentemente, ganhou uma versão online em dezembro, com entregas em todo o país.

A participação das vendas pela internet ainda é pequena. Ainda não representa 2% do faturamento da loja físca. Porém a previsão da gerente comercial do Criciúma Esporte Clube é que haja aumento sem grandes investimentos.

Boneco do artilheiro Zé Carlos (Foto: João Lucas Cardoso, globoesporte.com)Vendas de boneco de Zé Carlos
satisfazem apenas os fabricantes
(Foto: João Lucas Cardoso, globoesporte.com)

— O maior patrimônio do clube são os torcedores e muitos deles são de fora da cidade. Além dos próprios criciumenses, outros catarinenses se identificam com o clube sem nunca terem ido à Criciúma. A loja virtual ainda está no começo, mas a gente se surpreendeu com a quantidade de visitas e o número de cadastros. Ainda não fizemos muita divulgação e vemos um grande potencial de vendas — explicou Viviani Olimpio, gerente comercial.

Antes da criação de um setor para tratar licenciamentos de produtos, o Criciúma vendia apenas as camisas de jogos. Hoje são mais de 400 produtos, entre souvenires, utensílios domésticos, vestuários e produtos alimentícios. O clube enveredou por aumentar a variedade de itens e apostou no boneco do atacante Zé Carlos. No entanto, o goleador fez mais sucesso no campo, sendo o segundo maior artilheiro do Brasil em 2012, do que nas prateleiras. Segundo a gerente comercial, foram fabricados 500 exemplares e a procura ficou abaixo do que esperavam. Por outro lado, conforme Viviane Olímpio, a saída está dentro da normalidade na opinião do fabricante, que produz bonecos semelhantes para outros clubes de futebol.

Receitas do Avaí vão para os futuros craques
No Avaí, o projeto dos licenciamentos tem como finalidade investir em futuros jogadores. Toda a receita por meio da venda de produtos com a marca Avaí é voltada para as divisões de base. Hoje, 60% dos gastos com os jovens atletas é mantido pelo valores repassado pela venda de artigos do Leão da Ilha de Santa Catarina. A expectativa é de que o projeto, iniciado em 2007, chegue a 100% nos próximos anos.

Réplica da Ressacada é uma das ofertas de produtos licenciados pelo Avaí (Foto: Divulgação / Avaí FC)Réplica da Ressacada é uma das ofertas de
produtos licenciados pelo Avaí
(Foto: Divulgação / Avaí FC)

— É sempre importante este enfoque, pois precisamos fortalecer a história deste segmento. No Brasil, o licenciamento ainda é um processo muito recente, mesmo para grandes clubes que têm muitos anos de visibilidade — avaliou Otília Pagani, coordenadora de licenciamentos do Avaí e coordenadora do Futmarcas.

Um caso de sucesso na Azurra saiu de um projeto que não visava ser fonte de receita. O Avaí lançou em 2011 o projeto que presta homenagens às cidades catarinenses nas camisas oficiais dos goleiros. O uniforme que estampa cartões postais dos municípios se tornou um produto requisitado. Os torcedores, principalmente nas cidades específicas, começaram a procurar essas camisas e o clube correu para disponibilizá-las aos consumidores.

Produtos do Figueira ao alcance dos dedos
O Figueira tem apostado na tecnologia para atrair os clientes-torcedores. Uma empresa contratada pelo clube, que também presta serviço para outros times, desenvolveu um aplicativo para celulares. Ao fotografar um código impresso nos produtos oficiais, além de identificar o produto, mostra um conteúdo exclusivo, como um atleta do elenco apresentando o material e agradecendo pela compra. O projeto também funciona como ferramenta de combate à pirataria.

Loja oficial do Figueirense tem (Foto: Luiz Henrique, Divulgação / Figueirense FC)Venda de produtos oficiais correspondem
a 1% do faturamente do Figueirense
(Foto: Luiz Henrique, Divulgação / Figueirense FC)

Por conta de redução na cota de transmissões televisivas por causa do rebaixamento à Série B, o Figueirense aposta nos produtos em preto e branco. A partir de 2013, o clube pretende ‘cuidar’ mais das vendas de produtos oficiais. Neste ano, a venda dos licenciados significou para Figueira apenas 1% do faturamento total do clube.

— Em 2013 a previsão é que chegue pelo menos em 2%, devido ao aumento absoluto de royalties e redução natural de orçamento decorrente da queda à Série B — projetou Wagner de Castro, coordenador de marketing do Figueirense.

Embora a venda de camisas ainda seja o carro-chefe nos royalties, por ter grande volume e maior porcentagem, em média 20%, o clube não abre mão do que ganha em canecas, toalhas, sandálias e bonés.

— Se antigamente tínhamos pequenas empresas produzindo quase que artesanalmente, hoje temos uma indústria muito mais desenvolvida. Existe um longo caminho a ser percorrido, mas precisamos expandir e oferecer canais para que o torcedor adquira produtos oficiais com a maior agilidade, segurança e conforto possível — disse Wagner.

Terceira camisa do Joinville (Foto: Divulgação / JEC)Camisa laranja do Joinville marca a
aproxuimação do clube com os torcedores
(Foto: Divulgação / JEC)

Joinville e Chapecoense
Os dois clubes mantêm lojas oficiais e vendem seus produtos pela internet. Diferente dos times anteriores, Joinville e Chapecoense tem menos variedade de artigos em seus portfólios. Por isso, os campeões de vendas são as camisas de jogo.

O JEC apostou na participação dos torcedores na hora de desenvolver a camisa alternativa. O clube do norte de Santa Catarina fez um concurso e selecionou três modelos para serem votados no site oficial, todas criadas por internautas tricolores. A escolhida passou a ser o terceiro uniforme da equipe e o autor recebeu a primeira camisa fabricada.

A Chapecoense, que atende o público também pela internet, aposta em camisas comemorativas e retrôs. O clube deve diversificar a linha de produtos, aproveitando a maior exposição depois de conquistar a vaga na Série B.