sábado, 22 de dezembro de 2012

Rafael quer quadro, fotografia e conquistas também pelo Joinville

Um quadro, uma fotografia e conquistas. Elementos que, vindos de um professor, aguçaram o imaginário do então menino Rafael, na escolinha de futebol do Grêmio. As palavras do treinador serviram de ingredientes para buscar as glórias em uma imprevisível carreira de jogador. Anos mais tarde, aos 26 anos, o zagueiro encerra um ciclo de cinco temporadas no Avaí de cabeça erguida.

Rafael tem um quadro, o do acesso à Série A de 2009, algumas fotografias, que estampam vitórias e derrotas e conquistas, três títulos do Campeonato Catarinense, além da chegada à Série A. Realizado, em partes, em 2013 o zagueiro espera construir um novo capítulo da carreira. Desta vez, no Joinville.

Zagueiro Rafael, do Joinville (Foto: Vitor Vieira de Oliviera / globoesporte.com)Zagueiro termina o ciclo no Avaí e vai para o Joinville (Foto: Vitor Vieira de Oliviera / globoesporte.com)

‘Você só poderá se considerar um jogador de futebol depois de chegar a um clube e lá tiver um quadro seu, com seu nome marcado na história’. A frase é daquele professor de Rafael. O zagueiro leva consigo as palavras do professor, como uma espécie de lema. Ao chegar ao Avaí, em 2007, depois de deixar o Rio Grande do Sul, estava com 21 anos e desejava conquistar um espaço dentro do grupo principal. O defensor foi além.

Depois de mais de mais de uma centena de partidas — 152 jogos —, o zagueiro fez ao lado do irmão Cássio uma dupla que não deixará saudades somente no torcedor avaiano, mas também dentro da família Souza. A separação não será novidade entre os irmãos, que juntos conquistaram o acesso à Série A em 2008. Entre o ano de 2009 e 2010, Cássio esteve no Fluminense, enquanto Rafael manteve o foco no Avaí. No ano seguinte, Rafael também resolveu mudar de país e atuar na Suíça, pelo Lugano.

Além de ficar longe do irmão gêmeo mais uma vez, Rafael pela primeira vez vai encarar o Avaí. Cenário que, em um primeiro momento, não o assusta. Mas o deixa motivado para usar o passado de conquistas no Leão como um espelho para o futuro no JEC.

Em conversa com o GLOBOEESPORTE.COM o zagueiro relembra dos momentos mais marcantes da carreira pelo Avaí e também projeta o que pode conquistar no novo clube, o Joinville.

Como será, mais uma vez, a separação do irmão, Cássio? A carreira de vocês sempre esteve muito próxima um ao outro.
Desde sempre nos preparamos para isso. Quando ele foi para o Fluminense, a gente ficou dois anos lá é e eu em Florianópolis. Depois eu fui para a Suíça, mas a gente sabe que isso faz parte. Eu tenho certeza que ele irá para um clube bom e estou indo também. Então, o mais importante, é que nós estamos bem resolvidos e bem. Isso que me deixa mais feliz.

Já parou para pensar em como será a encarar o Avaí? Vai ser algo diferente?
Lógico quando eu acertei com o Joinville, eu sabia que teria essa possibilidade. Encaro isso com naturalidade, até porque foi um clube que tenho muito carinho, vivi anos muitos bons. Tudo na vida tem um ciclo, que acabou. Espero ter vitórias, mesmo que seja contra o Avaí também.

Espero ter vitórias (pelo Joinville), mesmo que seja contra Avaí também"

Rafael

A torcida do Joinville pode ter receios ou te cobrar mais por ser ex-jogador do Avaí? Como você enxerga essa nova relação?
Pode acontecer, mas tudo depende de como for o andamento dos jogos. Tenho certeza que quando a torcida me conhecer dentro de campo os receios vão acabar. Dentro de campo é entrega e dedicação total.

Como foi parar um dia de treinamentos e cobrar salários atrasados do Avaí?
Foi uma situação nova que vivi dentro do futebol. Claro que já havia encarado algumas crises, mas nada como isso. Foi uma situação que custou muito até para acontecer, pois o final da temporada começou se aproximar e nada era resolvido. Alguns jogadores realmente precisam do salário. Claro que todo mundo precisa, mas tem alguns que mais. Então, foi uma decisão de todo o grupo. Nós nos reunimos e decidimos. Isso mostrou que o grupo estava unido. Foi uma forma de reivindicar o que estávamos precisando.

Como é olhar para trás e ver a história construída no Avaí. É um olhar de satisfação?
Vou me lembrar com muito carinho. Fico muito feliz de ter feito historia no clube. Foram três títulos catarinenses, um acesso à Série A e uma participação em uma competição internacional que o clube ainda não tinha tido, a Copa Sul-Americana. Isso que me deixa satisfeito.

Zagueiro Rafael, do Joinville (Foto: Vitor Vieira de Oliviera / globoesporte.com)Zagueiro está cheio de planos para temporada
(Foto: Vitor Vieira de Oliviera / globoesporte.com)

Onde espera chegar no Joinville em 2013?
Eu quero ter uma sequência de jogos no Joinville, sem lesões e ficar apto para jogar. Quero conseguir o que conquistei no Avaí: vitórias e títulos. Queremos reerguer o Joinville para todo o Brasil, é uma cidade muito importante. Desejo algo parecido como naquele ano (2010) com o Avaí, em que fomos para a Série A e conquistamos o sexto lugar com visibilidade de todo Brasil.

Aos 26 anos, você se vê mais maduro para encarar um novo desafio? A experiência ajuda?
Quando eu cheguei ao Avaí, eu estava com 20 para 21 anos. Aos poucos vamos amadurecendo para saber lidar com as situações, vamos aprendendo os caminhos e entendendo as consequências. Você consegue enxergar qual desfecho terá um caminho que seguir. Então, tudo isso é válido, é uma construção de uma historia. Penso que a experiência é um fator que me ajuda muito no futebol.