Evando na sua última partida como jogador de futebol profissional (Foto: Jamira Furlani / Avaí FC)
Todo trabalhador tem o direito de um dia se aposentar. Esse momento costuma ser emocionante, principalmente para quem tem paixão no que faz. Imagine então quando milhares de pessoas se mobilizam para homenagear o último dia de serviço de um ídolo do futebol do clube. Foi assim que Evando se despediu da torcida do Avaí.
Ao entrar em campo, o jogador já transbordava de felicidade. A partida não valia muita coisa para o Avaí, embora o Criciúma ainda disputasse o título. O atacante, ainda assim, jogou como se fosse a última vez – e dessa vez realmente era.
— Chorei quando entrei em campo, chorei quando a torcida gritou, chorei quando dei a volta em campo — revelou o atacante.
O craque que é muito lembrado pela campanha de 2008, quando levou o Avaí para a Série A do Brasileirão, jogou como um Leão na tarde de 24 de novembro de 2012. Um sábado que vai ser muitas vezes lembrado pelo craque que jogou com a camisa 117, o número de vezes que defendeu o Avaí.
O atacante nem parecia que já estava com a cabeça na aposentadoria. Evando quase abriu o placar aos 30 minutos de jogo, quando Julinho fez um bom cruzamento e ele escorou de cabeça. Michel Alves, no entanto, não quis ser protagonista da festa e fez boa defesa. Pouco antes, o Iluminado, ofuscando a defesa do Tigre, quase recebeu bom passe rasteiro. Por pouco não saiu um gol contra.
O Avaí abriu o placar aos 37 minutos de jogo, com Julinho, e, logo depois, Evando teve a chance de mostrar que não estava só para a festa. Mas o universo não quis conspirar a favor. A gravidade atrapalhou e o centroavante desequilibrou na hora da finalização. Uma pena.
Homenagem a Evando antes do início da partida (Foto: Jamira Furlani / Avaí FC)
Como um grande artista, Evando sai do palco ovacionado pela plateia
Na segunda etapa, o atacante que tantas vezes balançou as redes pelo Leão da Ilha de Santa Catarina, foram 44, parecia querer mais. Logo aos sete, depois de um cruzamento encomendado sob medida ao Arlan, Evando chutou de primeira, do bico da área, uma pancada. Mas Michel Alves estava irredutível e não quis ser o último goleiro a tomar um gol de Evando. O guarda metas executou um verdadeiro milagre.
— Eu até falei com o Michel depois: Pô Michel, não tira a minha bola. Eu peguei na veia, ia ser um golaço — disse Evando após o apito final
Homenagem a Evando, despedida do Avaí
(Foto: Jamira Furlani / Avaí FC)
Depois disso o atacante continuou tentando, mas sempre foi parado pela defesa. Faltando seis minutos para o fim do jogo, Evando foi substituído e a torcida aplaudiu de pé, não pelo espetáculo propriamente, mas pelo conjunto da obra. Foram 117 jogos e inúmeros momentos de emoção. A gratidão era mutua. Mais do que uma carreira, o Iluminado construiu uma paixão.
— O que eu posso dizer? Talvez eu seja até chato e repetitivo, mas eu vou dizer: muito obrigado, muito obrigado. Valeu a pena todo o esforço, as idas e vindas. Florianópolis é a cidade que eu escolhi para dividir a minha vida com a minha esposa, e onde escolhi para seguir minha vida e educar meus filhos. Agora vou sentar ali na arquibancada e sofrer mais do que aqui dentro. Lá fora não pode chutar. Mas valeu a pena.
O juiz apitou e Evando, como num passe de mágica, passou a ser chamado de ex-jogador, mas vai ser lembrado por muito tempo como ídolo do Avaí.