Depois que Marcelino Bernal, do México, afastou para longe um escanteio da Bulgária na Copa do Mundo de 1994, gerou uma justificativa cômoda para um fato de quase duas décadas depois. Na partida das semifinais do Mundial, o defensor latino se enrolou na rede, após o lance, e quebrou a haste que dá suporte à malha. Pois o fato foi relembrado pelo presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto, para minimizar o episódio em que a trave desabou durante a partida entre Chapecoense e Criciúma. No estádio Josué Annoni, em Xanxerê, pelo campeonato de futebol de Santa Catarina, Fábio Ferreira também se enroscou no fundo do gol, mas a baliza caiu.
- Isso já aconteceu até em Copa do Mundo, isso é normal, é inusitado. Acontece de acabar a luz, várias coisas podem acontecer durante o jogo. Deram azar de cair a trave, mas depois arrumaram, deu para continuar. Senão teriam que continuar em outro dia, para terminar os minutos que faltavam. Deu tudo certo – disse o presidente do órgão que rege o futebol catarinense.
Fábio Ferreira fica no fundo do gol, Rorigo Gral lamenta gol perdido e trave desaba no Josué Annoni,
durante Chapecoense x Criciúma, pelo Campeonato Catarinense (Foto: Sirli Freitas/Agência RBS)
O episódio gerou uma paralisação de 30 minutos da partida, que só foi terminar aos 88 da segunda etapa. A Chapecoense venceu o confronto em que era a mandante, pela quarta rodada. O clube tem atuado em Xanxerê, 50 quilômetros de Chapecó, porque o Índio Condá passa por reformas. O presidente da Federação Catarinense de Futebol afirma que não vai haver punição ao time verde por conta do episódio.
- Acho que não vai ter problema nenhum. Uma vez que a trave foi arrumada e terminou o jogo normalmente. Não tem porque haver penalidade – garantiu Delfim, que também afirmou que o estádio foi aprovado na vistoria.
Técnico do Criciúma, Paulo Comelli não escondeu a surpresa com o fato. Porém, para o treinador, o pior foi a ‘solução’ para o problema. A trave continuou em uso, escorada por uma outra e até calçada com placa de publicidade.
- Estou há 22 anos na profissão de treinador de futebol e está é a primeira vez que vejo isso. Não quero crucificar ninguém, mas é lamentável ver isso em um jogo com exibição da televisão. Ainda mais com uma trave escorando a outra – confessou Comelli.