Uma partida não realizada e um ponto de interrogação colocado sobre o futebol de Santa Catarina. Juíza substituta da 3ª Vara Civel de Palhoça, Cintia Werlang assinou às 10h de domingo a liminar que interditou o estádio Renato Silveira, por falta de segurança, e suspendeu a partida entre Guarani e Avaí. O Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina deve apontar o desfecho para o confronto. O Bugre de SC pode ser penalizado com multa financeira e a partida remarcada.
A decisão depende do encaminhamento do TJD, que precisa da súmula para poder enquadrar o caso. O tribunal pode aplicar o caso ao artigo 211 no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê: ‘Deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização’. Neste caso, a multa varia entre R$ 5 mil e R$ 50 mil e ‘interdição do local, quando for o caso, até a satisfação das exigências que constem da decisão’.
A definição quanto à partida ficaria com o departamento técnico da Federação Catarinense de Futebol. Há datas ‘viáveis’ para o confronto, uma vez que não haverá rodada durante o Carnaval ou no próximo meio de semana. No entanto, o Avaí refutaria a medida. Não quer jogar enquanto o Figueirense, rival no clássico da sétima rodada (previsto para o dia 17), teria o tempo todo para se preparar.
Uniformizados, jogadores de Guarani de Palhoça e Avaí são informados da
suspensão da partida no Renato Silveira (Foto: Jamira Furlani / Avaí FC)
O clube aponta os dias 20 e 27 como possíveis datas, ambas no meio de semana e datas sem rodadas do Campeonato Catarinense. Para que o Avaí ficasse com os pontos do confronto, seria preciso que não houve justificativa para a realização da partida. Neste caso o Guarani seria enquadrado no artigo 203 e ainda pagaria multa de até R$ 100 mil.
A decisão judicial coloca o caso da boate incendiada em Santa Maria (RS), há pouco mais de uma semana, como prerrogativa para a interdição. Porém, o Renato Silveira havia recebido outras duas partidas do Campeonato Catarinense anteriormente. No dia 20 de janeiro, foi palco de partida do time da casa contra o Figueirense e no dia 27 diante do Camboriú.
- Providenciamos todos os laudos que nos foram solicitados para realizar os jogos no Renato Silveira, tanto que pudemos disputar em nosso campo as partidas contra Figueirense e Camboriú - argumenta Amaro Júnior, presidente do clube de Palhoça.
Antes do Campeonato Catarinense começar, todos os estádios foram ‘barrados’ pela Federação Catarinense de Futebol. A entidade seguia recomendação do Ministério Público de Santa Catarina, que alegava que os laudos técnicos não foram entregues dentro do prazo. No entanto, o advogado da Associação dos Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina (SCClubes), Sandro Barreto, que também é diretor jurídico do Avaí, esteve com o presidente do TJD, Mário Cesar Bertoncini, para viabilizar a liberação ao público nas praças esportivas.
- Foi um absurdo ter acontecido aquilo. Foi mostrado para a juíza que estava tudo ok. Se ela tivesse dúvida, que fosse investigar. Provavelmente o Guarani deve ser inocentado e a partida pode ser remarcada. Se o clube não conseguir provar que o estádio estava em condições de jogo e for responsabilizado pelo cancelamento, a vitória deve ser dada ao Avaí. Mas isso tudo ainda vai ser julgado e não tem data para nada disso – disse Sandro Barreto.
A interdição do estádio de Palhoça foi uma recomendação do Ministério Público, que queria o ‘fechamento’ de todos os estádios antes do início do campeonato. A punição para o caso da quinta rodada do Catarinense cabe ao TJD, que anteriormente havia liberado a praça esportiva para jogos e presença dos torcedores.