Ainda que a bola batesse nele, que entrasse depois de tocar as suas costas ou qualquer coisa parecida, tudo parece mais fácil quando ele está campo. E como foi fácil para Evando botar o pé direito no couro e fazer com que encontrasse a rede. Naquele piscar de olhos, a vitória era parcial. Naquele instante, 41 minutos do segundo tempo, o Guaratinguetá já estava batido. Mas foi após o gol do homem que emana luz quando veste azul e branco que o sentimento de triunfo preencheu o peito dos avaianos.
Evando vibra pelo gol do triunfo de 2 a 0 sobre o Guaratingueta (Foto: Manoel Bento / Site Oficial do Avaí)
O gol de Pirão foi muito mais bonito. Um tiro longínquo e certeiro. Mas a plasticidade e a vibração após o 1 a 0 não seriam suficientes. Os azurras clamavam por um afago. Um mimo para minimizar a distância do G-4 da Série B e a saída do camisa 10 Cleber Santana. A torcida do Avaí sempre precisa de um ídolo. Um alguém para despejar suas esperanças. Evando voltou, após 75 dias sem vestis a camisa em jogos oficiais. Dali por diante a vitória seria uma questão de minutos. Quando o iluminado colocou na rede, no 2 a 0, foi completa.
A torcida precisava de Evando como o próprio atacante do gol. Evando precisava mesmo. Estava há 243 sem ver a rede balançar depois que toca pela última vez — o anterior havia sido em janeiro, com a camisa do Ituano. Por isso, quando Camilo desceu pela esquerda e a defesa do Guaratinguetá ficou para trás, o homem com a camisa 18 se apresentou. O meio-campista foi até a cara do goleiro e tocou para o lado. O passe era na medida para Nunes, que chegou a parar a corrida para esperar apenas o toque para as redes. Porém Evando apareceu no caminho e seu pé direito cortou a trajetória da bola para que ela tomasse um novo rumo: o da catarse em azul e branco.
Como tantas outras vezes, Evando foi feliz na Ressacada. A torcida do Avaí também.